Os misericordiosos. (Mateus 5.7). Pr. Alexis Pasklan.

Os bem-aventurados

Agora, felizes como só Deus pode ser feliz, são aqueles que tiram o foco de si mesmos, identificam necessidades em sua volta e buscam supri-las. O foco das outras bem-aventuranças até então lidavam as necessidades. Agora é à disposição do crente que é focada. Agora o que dizemos que somos vira ação. Agora começamos a experimentar a felicidade; ela é um caminho!

A ordem das bem-aventuranças esta num crescente. Enfatizando o fazer por ser, não por tentar ser!

É interessante: primeiro nos convertemos ao evangelho do “não é para fazer”. Em segundo anuímos ao evangelho “é para fazer”. Em terceiro achamos o “é para ser”. E no apagar das luzes em último lugar descobrimos o evangelho do ”é para Ele – Jesus – ser”. Cristianismo não é poder para ser. É simplesmente ser Dele; é poder para Ele ser!

Deus não espera de nós que controlemos o nosso cristianismo. Para ser um crente só é preciso deixar que o princípio cristão seja aplicado pelo Espírito.

O significado de misericórdia

Não é ser complacente. Desatencioso. Nem acomodado, ou despreocupado. Nem acrítico sorrindo diante da transgressão e desobediência, sem crer em justiça ou retidão.

Não é questão de temperamento, cultura etc. Caráter sempre vem em primeiro lugar.

Cuidado para interpretar o termo, pois Deus é misericordioso! E podemos colocar os Seus outros atributos (retidão, santidade, justiça) em detrimento.

Não é só sentimento, mas uma ação aliviadora (cestas Natal). É compaixão pelos que passam necessidade. É a resposta do coração de Deus (córdios) à miséria (míseros) externa e interna do ser humano.

É encontrar-se com a miséria; formar parceria para aliviar o sofrimento; é senso de piedade (prisão). É simpatia interna que se move em direção à tristeza e sofrimento alheio.

É perdoar o rebelde, estando em autoridade; é agir em gentileza com o adversário condenado; é abrir mão do direito da vingança.

Richard Lenski explica Paulo em 1 Timóteo 1.1 (… Graça, paz e misericórdia…), dizendo que a misericórdia trata da dor, da miséria, do desespero, resultantes do pecado, concedendo alívio, cura e ajuda. A graça lida com o erro, a culpa, o perdão, a purificação, a reintegração do que sofre a desgraça ou os muitos males.

Nós, a igreja, temos sido implacáveis, mundanos (na chacina de 1994, em 100 dias, 1 milhão, 12,5% da população de Ruanda-Africa, 90% de cristãos).

Não é: toma lá da cá! Isso é manipulação. Pelo contrário, muita misericórdia traz cruz – Jesus! É ser cheio de amor – ágape. Quem é controlado pelo amor não peca! A justiça de Deus exige uma reação amorosa.

Ser misericordioso é usar a misericórdia de Deus.

O resultado da misericórdia

No começo ou fim de tudo, o que mais precisamos, precisaremos é misericórdia, sempre [2Tm 1.16-18]! Misericórdia é o passaporte para a misericórdia.

O “Pai nosso” [Lc 11.4] e a parábola do servo impiedoso [Mt 18.23-30] são mal interpretadas. Sugerimos auto-esforço e sem perceber, cancelamos a graça de Deus. Ambos os textos nos dizem que os verdadeiramente perdoados são os verdadeiramente arrependidos.

A ação da misericórdia sempre acompanha a bênção.

Aplicação

Precisamos ter uma revelação sobre misericórdia, como Zacarias, pai de João Batista [Lc 1.18-20].

As ações das quatro primeiras bem-aventuranças (pobres de espírito, que choram, mansos, os que têm fome e sede de justiça), produzirão uma reação de misericórdia, ou seja, um outro olhar para com os homens. Como o olhar de Jesus na crucificação [Lc 23.34] ou como o de Estevão no seu próprio martírio [At 7.60].

A misericórdia não é algo produzido pelo nosso esforço. É algo de Deus, mas pode e deve ser experimentada pelo ser humano [Lc 6.36].

A graça de Deus é que pode nos tornar misericordiosos. Nossas reações dizem e muito daquilo que realmente somos.

Só seremos alvos da misericórdia quando nos arrependermos. Isto é, quando houver temor [Sl 103.11,13].

A falta da misericórdia sobre nós deveria nos levar a um questionamento.